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CELSO PIERRO LIMITA ATENDIMENTO NO PS
08/11/2017

O Hospital Celso Pierro, da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas), vai receber a partir da próxima segunda-feira, 6, apenas casos de urgência e emergência, limitando o atendimento à capacidade instalada de 20 leitos no Pronto-Socorro Adulto (PSA) e 5 no Pronto-Socorro Infantil (PSI).Além disso, o hospital vai suspender a produção mensal de 11 mil exames laboratoriais encaminhados pelos pronto atendimentos Campo Grande, Anchieta e Laboratório Municipal. A medida foi adotada após a Prefeitura de Campinas reduzir R$ 2 milhões do orçamento mensal do hospital. A Prefeitura nega o corte e fala em adequação dos recursos.

 

Embora o convênio do Município com o Celso Pierro seja para a cobertura de 20 leitos do Sistema Único de Saúde (SUS) no PS Adulto e 5 no Infantil, o hospital vinha trabalhando com uma média de ocupação de 37 leitos, chegando a 55 na última semana em razão da greve do Hospital Ouro Verde. A composição desses atendimentos é de 60% de demanda espontânea e 40% de transferências feitas pela Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde (Cross) e demais hospitais. Com o anúncio feito ontem, o hospital vai se limitar apenas aos números previstos no convênio. “Vamos restringir o atendimento. Não vamos fechar a porta. Nunca fechamos a porta”, explicou o diretor clínico do hospital, Nilton Crepaldi Vicente.

 

Com a mudança, os pacientes em situação de urgência e emergência vão continuar passando pela triagem, serão examinados e, confirmando a ocupação dos 20 leitos do Celso Pierro, eles serão encaminhados para o PA Campo Grande nos casos de maior gravidade ou para as Unidades Básicas de Saúde (UBS), nos casos menos graves. “Vamos ver, classificar e reencaminhar”, disse Vicente. A Prefeitura foi notificada sobre a medida, assim como o Conselho Municipal de Saúde. O hospital também vai afixar cartazes e faixas comunicando os usuários. Parte dos exames laboratoriais do PA Campo grande, PA Anchieta e do Laboratório Municipal que eram processados no hospital também devem deixar de ser feitos. O trabalho não era previsto em contrato, segundo o hospital. “Nosso laboratório é interno, não é para prestar serviço para fora. Fazíamos em parceria e há dois anos vínhamos pedindo para não mandarem mais esses exames. Tenho que manter funcionário à noite fazendo exames que não nos pertencem”, explicou o diretor clínico.

 

Por outro lado, exames de tomografia que eram feitos pelo hospital deixaram de ser requisitados pela Secretaria de Saúde, segundo o diretor. “São cerca de 800 a 900 pessoas na fila de espera para fazer tomografia, muitos casos necessários, inclusive de pacientes com câncer, e os nossos equipamentos estão ociosos porque cortaram os encaminhamentos e não estão mandando para nós há várias semanas”, disse.

 

Crepaldi diz que as medidas anunciadas se devem a quebra de contrato unilateral por parte da Prefeitura. O convênio entre o município e a instituição foi renovado para o período de 21 de junho a 21 de dezembro e prevê o repasse de R$ 11.281.275,50. Mas há dois meses, o município repassa R$ 9.073.723,23. “Esses R$ 9 milhões não vem apenas da secretaria. A maior parte, cerca de R$ 7 milhões, vem do governo federal e R$ 4 milhões eram compostos pela Secretaria. Com o corte, nós custamos para o município cerca de R$ 2 milhões”, afirmou o diretor. Crepaldi ressaltou que apesar do corte o Celso Pierro continua honrando com o contrato, executando todos os serviços determinados no convênio.

A direção do hospital disse que paralelamente está em contato com o governo federal na tentativa de que o Ministério da Saúde negocie o impasse. Também está em contato com o governo do estado pleiteando que a Secretaria assuma pelo menos parte da gestão, já que o hospital atende também pacientes da Região Metropolitana. Além disso, está estudando os meios jurídicos para garantir que a Prefeitura de Campinas cumpra com o convênio vigente, já que não foi feito nenhum distrato.

 

Prefeito

 

O prefeito Jonas Donizette (PSB) disse terça-feira que não houve corte de verba e que o Celso Pierro não é um hospital da Prefeitura, mas um hospital de ensino. “É um importante parceiro, mas nesse momento em que todos passam por dificuldade econômica é preciso que o hospital tenha sua parcimônia. Muitos dos serviços que transferimos para outras unidades da cidade, alguns deles não eram nem feitos pela PUC antes. É muito importante falar para população que a PUC não vai fazer um serviço sequer que ela não receba da Prefeitura”, afirmou o prefeito.

A Secretaria de Saúde informou em nota que os pagamentos feitos à PUC são referentes a procedimentos. “Portanto, o que ocorreu no convênio entre a Pasta e o Hospital Celso Pierro foi uma revisão no volume de serviços prestados e não de valores. Atualmente, o convênio com a PUC tem um teto de R$ 9,1 milhões, o que equivale a mais de R$ 100 milhões por ano, e a entidade recebe pelos procedimentos realizados”. A Pasta informa que os serviços que deixaram de ser prestados pela PUC foram absorvidos pela rede municipal, e que não houve prejuízo para a população.


Fonte: Correio