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Fehosp defende incorporação de nova terapia para leucemia mieloide aguda no SUS e alerta para entraves econômicos
15/04/2026

A Federação das Santas Casas e Hospitais Beneficentes do Estado de São Paulo (FEHOSP) apresentou contribuição à Consulta Pública nº 18/2026 do Ministério da Saúde defendendo a incorporação do medicamento venetoclax, em combinação com azacitidina, para o tratamento de pacientes adultos com leucemia mieloide aguda (LMA) recém-diagnosticada e inelegíveis à quimioterapia intensiva.

Segundo a entidade, que representa uma rede de 409 hospitais filantrópicos responsáveis por 67,88% da produção de alta complexidade do SUS paulista, a tecnologia preenche uma lacuna crítica no tratamento da doença, considerada rara, agressiva e de rápida progressão.

Atualmente, a principal alternativa disponível no Sistema Único de Saúde é a citarabina em baixas doses, que apresenta resultados limitados, com baixa taxa de remissão e sobrevida reduzida. Em contraste, evidências apontam que a combinação com venetoclax pode reduzir o risco de morte em até 50% e aumentar significativamente as chances de remissão da doença.

Apesar do reconhecimento do benefício clínico pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), a recomendação preliminar foi desfavorável à incorporação. O principal entrave apontado foi o impacto orçamentário elevado e a avaliação de custo-efetividade, considerada insuficiente diante do desconto apresentado pela fabricante.

Na nota técnica, a Fehosp destaca que a discussão não pode se restringir ao custo direto do medicamento, e chama atenção para fatores frequentemente subestimados, como os custos associados a internações prolongadas, uso de UTI e manejo de complicações decorrentes dos tratamentos atualmente disponíveis. A entidade argumenta que a nova terapia pode reduzir hospitalizações e permitir um manejo mais ambulatorial, gerando economia estrutural ao sistema.

Entre as recomendações apresentadas, a Federação destaca que a limitação financeira não pode resultar no abandono do paciente idoso e frágil. Nesse sentido, propõe que a incorporação da tecnologia esteja atrelada a um processo de compra centralizada pelo Ministério da Saúde, como forma de garantir ganho de escala e viabilizar descontos substanciais. Adicionalmente, direciona à Secretaria de Atenção Especializada à Saúde (SAES/MS) o questionamento sobre a existência de modelagens de Acordos de Compartilhamento de Risco que possam superar a barreira de preço, sem comprometer o acesso imediato dos pacientes.

Outro ponto levantado diz respeito às limitações metodológicas das evidências disponíveis. A Fehosp defende uma abordagem mais pragmática na avaliação, considerando que a ausência de estudos comparativos diretos com o tratamento padrão do SUS não deve impedir o acesso, especialmente quando há consenso internacional sobre a superioridade da nova terapia.

A Fehosp ressalta que é fundamental que a inovação científica seja acompanhada de soluções estruturais que garantam sua implementação no SUS, assegurando melhores desfechos clínicos e dignidade aos pacientes mais vulneráveis.