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Número de médicos por regiões e no SUS: levantamento revela desigualdade absurda

Não é segredo que o atendimento em clínicas e hospitais particulares pode ser muito diferente do acolhimento feito em unidades básicas de saúde e hospitais públicos.

A desigualdade continua quando avaliamos os diferentes estados brasileiros. Um dos principais fatores que determina essa discrepância é o serviço médico. Um novo levantamento revela características do serviço em diferentes frentes. Confira a seguir.

 
O levantamento
 
Os resultados do estudo Demografia Médica, realizado pela Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) com apoio do Conselho Federal de Medicina (CFM) e Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp), foram divulgados na última segunda-feira (30), em São Paulo. O objetivo da pesquisa é caracterizar o exercício da medicina e identificar as principais desigualdades.
 
Quantidade de médicos por região
 
As regiões Norte e Nordeste têm a menor quantidade de médicos em relação à quantidade de habitantes do país. Enquanto a relação é de 1,09 médicos para cada mil habitantes no Norte e 1,3 médicos para cada mil habitantes no Nordeste, a média nacional é de 2,11 médicos para a mesma quantidade de moradores.
 
Considerando o interior dos estados, a situação é ainda mais grave, onde a proporção é de 0,42 e 0,49 médicos para cada mil habitantes do Norte e do Nordeste, respectivamente.
 
No Centro-Oeste a razão é de 2,2 médicos para cada mil habitantes; no Sul é de 2,18 e no Sudeste de 2,75.
 
A quantidade de médicos especialistas, ou seja, que fizeram residência em áreas como cardiologia, pediatria e dermatologia, segue uma tendência parecida. Sul e Sudeste ficam com 70,4% de todos os médicos especialistas, 15,92% estão no Nordeste, 8,72% estão no Centro-Oeste e apenas 3,74% são moradores da região Norte do país.
 
Quantidade médicos nas cidades grandes e no interior
Nas 39 cidades brasileiras com mais de 500 mil habitantes - que juntas concentram cerca de 30% da população brasileira – trabalham 60% dos médicos do país.
 
Nos quase 5 mil municípios brasileiros com até 50 mil habitantes, onde vivem 65,5 milhões de pessoas, estão cerca de 31 mil médicos (7,4% do total).
 
Número de médicos no SUS e no sistema privado
O levantamento demonstrou que 21,6% dos médicos trabalham apenas no setor público, 26,9% trabalham apenas no setor privado e 51,5% trabalham em ambos. Isso implica em 78% médicos vinculados ao sistema particular e 73% vinculados ao Sistema Único de Saúde (SUS).
 
O que parece ser um equilíbrio é, na verdade, uma importante desigualdade quando entendemos que 75% da população brasileira é atendida pelo SUS e apenas 25% têm plano ou seguro de saúde, o que determina que a quantidade de médicos por paciente é 3 vezes maior no setor privado em relação ao SUS.
 
Salários e carga de trabalho
 
Um dos motivos para a grande diferença da quantidade de médicos trabalhando em cada um dos setores é a remuneração: 37% ganham menos de 8 mil no SUS, enquanto essa taxa é de 21% no setor privado.
 
Outra causa pode ser a carga horária de trabalho: dos médicos que atuam apenas no SUS, 6,8% têm carga horária de 20 horas semanais, 39% trabalham de 40 a 60 horas e 19% trabalham 60 horas ou mais; no setor privado, essas taxas são de 13%, 40% e 13%.
 
Os pesquisadores perguntaram aos entrevistados em que setor eles optariam por trabalhar caso as condições fossem iguais. Pouco mais de 58% disse que optaria pelo SUS, enquanto 41% escolheria o setor privado.
 
As mulheres (63,2%), os nordestinos (64%) e os médicos com até 35 anos (62,2%) são os perfis pesquisados que demonstraram maior preferência pelo setor público.