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VICE-PRESIDENTE DE CONFEDERAÇÃO CULPA SUS POR CRISE DAS SANTAS CASAS E INSTITUIÇÕES FILANTRÓPICAS
09/01/2019

As Santas Casas de Misericórdias e hospitais filantrópicos de todo o Brasil começaram o ano de 2019 enfrentando uma das mais graves crises de todos os tempos. Nos últimos dois anos, de um total de 2.100, incluindo hospitais, Santas Casas e instituições, pelo menos 212 fecharam as portas.

O vice-presidente da Confederação das Santas Casas de Misericórdia, Hospitais e Instituições Filantrópicas, Maurício Dias, culpa o Sistema Único de Saúde (SUS) por essa situação.

“A dívida das Santas Casas não é dessas entidades, essas dívidas pertencem ao SUS, que desde os seus 30 anos de criação, nunca praticou um reajuste linear em todos os milhares de procedimentos da tabela. A única solução para manter o serviço é recorrer a bancos, e o que a gente assiste é um país concedendo juros de 3% ao ano com carência pra JBS da Lava Jato tomar dinheiro em banco, enquanto que para as Santas Casas, que realizam 53% de toda a assistência prestada ao SUS no Brasil, a Caixa Econômica disponibiliza uma linha com 1.6% a 1.8%, chegando a 16% ou 20% ao ano de juros”, afirmou Maurício Dias.

De acordo com ele, em 30 anos, houve 93% de reajuste com uma inflação, que nesse mesmo período foi de 498%. “A inflação, na prática, é manipulada para baixo, e o reajuste foi muito maior, principalmente se considerarmos os itens de insumos, de medicamentos, material, que muitas vezes são importados e os preços variam com o dólar.”

Conforme o vice-presidente da confederação, a crise dessas entidades é muito grande por conta do subfinanciamento do SUS e também por conta de uma falta de prioridade dos governos em buscar o equilíbrio.

“A lei que criou o SUS estabelece que o financiamento era para ser tripartite: governo federal, estadual e municipal, os três complementando pra pagar o serviço. O que a gente vê é o governo federal repassando o recurso, e os governos estadual e municipal apenas repassando o dinheiro, sem complementar o custeio dos serviços. Alguns estados e municípios chegam a contratar serviços, mas são serviços que não estão previstos pelo governo federal e que eles pagam na mesma tabela SUS deficitária”, disse.

Maurício Dias destacou que outro aspecto importante para a crise é que a rede filantrópica é a única rede de saúde do país que têm serviços pagos de demanda espontânea, como é o caso da emergência, onde é preciso manter um quadro fixo de profissionais médicos, enfermeiros, auxiliares, anestesistas e outros profissionais especializados dentro da unidade para atender a demanda que surgir.

“Os gestores nos pagam por serviços realizados. Então se não acontecerem catástrofes e situações pra encher a enfermaria de pacientes a gente tem uma produção relativamente baixa, mas o custo fixo é alto pra manter. Os hospitais do estado são custeados pelo estado e o município também, com suas unidades públicas, com quanto precisam para poder pagar a conta de todos os funcionários e toda a despesa daquele hospital. No nosso caso, eles nos pagam pela produção realizada”, declarou.
 


Fonte: Acorda Cidade